Paratriatleta do Jockey Club Uberaba soma títulos, superações e já projeta nova temporada de desafios internacionais
Com 54 anos e mais de 15 dedicados ao paratriatlo, o paratleta João Nogueira é hoje um dos principais nomes da modalidade no Brasil. Atleta do Jockey Club Uberaba há três temporadas, João encerra 2025 como referência de superação e performance, mesmo em um ano atípico para o calendário paralímpico.
Em 2023 e 2024, ele conquistou o título de campeão brasileiro de paratriatlo na categoria PTS2. Atualmente ocupa a 32ª posição no ranking mundial da World Triathlon, mantendo-se competitivo entre os principais nomes do mundo. Além disso, é o número 1 do ranking nacional, mesmo competindo com adversários bem mais jovens.
Em 2025, mesmo sem grandes eventos internacionais no ciclo paralímpico, João manteve o ritmo e se prepara para encerrar o ano disputando o Campeonato Brasileiro, que acontece em novembro, em Florianópolis.
“Foi um ano diferente, sem as grandes competições do ciclo, mas mantive a rotina de treinos. Tive que me recuperar de uma lesão séria em 2024, após um acidente de bike aqui em Uberaba, e ainda assim consegui competir fora do país. Levantar e seguir em frente é parte do processo. Estou pronto para Florianópolis e para o que vem em 2026”, afirma João.
Além do triatlo, João também competiu na natação em 2025. No Campeonato Master Mineiro, disputou oito provas e terminou em 7º lugar geral na categoria 50+, reforçando sua versatilidade.
Expectativa para 2026: olho na Seleção e no sonho paralímpico
O objetivo principal para o próximo ano é retornar à Seleção Brasileira de Paratriatlo. Para isso, João pretende disputar pelo menos três competições internacionais, exigência da CBTri (Confederação Brasileira de Triathlon) para ranqueamento e convocação.
Segundo ele, o alto custo para competir fora do país, cerca de R$ 50 mil anuais, é uma das principais barreiras para os atletas brasileiros da modalidade. Ainda assim, ele se mostra motivado e confiante.
“O sonho não envelhece. Meu foco é Los Angeles nos Estados Unidos em 2028 e, para isso, preciso estar no radar da confederação já em 2026. A programação vai ser intensa, com até seis provas nacionais e as internacionais para garantir posição no ranking. Se tudo der certo, em breve volto a vestir a camisa da Seleção”, projeta.
Mesmo enfrentando os efeitos da idade, como recuperação muscular mais lenta e necessidade de mais cuidados com alimentação, hidratação e descanso, João acredita que a experiência pesa a favor. “Hoje, meu diferencial é saber me dosar, entender o terreno, o clima, a prova. Enquanto alguns adversários tentam mostrar força nos treinos, eu sigo meu plano com disciplina. É isso que traz resultado”, destaca.
Em sua última prova em Brasília, João abriu mais de 40 minutos sobre o segundo colocado e mais de uma hora sobre o terceiro, reforçando a superioridade técnica na categoria.
Sonho Ironman e legado no esporte
Além do calendário olímpico, João também alimenta outro grande objetivo: concluir um Ironman. A prova reúne quase 4 km de natação, 180 km de ciclismo e 42 km de corrida. “É uma meta pessoal. Preciso de mais estrutura e apoio, mas estou no caminho. E quando isso acontecer, quero mostrar que é possível ir além, mesmo com desafios físicos e financeiros. Quero inspirar os que estão começando”.
A parceria com o Jockey Club Uberaba tem sido fundamental para manter o ritmo de treinos e o acesso à estrutura necessária para competir em alto nível. “Ter esse suporte é essencial. O Jockey acredita no paradesporto, e isso me dá forças para seguir. Eu treino todos os dias com foco, respeitando os limites do corpo, mas com a cabeça cheia de planos para o futuro”, finaliza.