Notícias

Peteca, o esporte que move gerações no Jockey Club Uberaba

Clique na imagem para dar zoom

Em meio à modernização dos esportes e à ascensão de modalidades como o beach tennis, há uma tradição que resiste com força, determinação e amor à prática: a peteca. No Jockey Club Uberaba, esse esporte tipicamente mineiro não apenas sobrevive, mas segue sendo motivo de orgulho, encontro e saúde para seus praticantes, muitos deles veteranos que colecionam histórias, títulos e amizades construídas em torno da quadra.

Wagner dos Reis da Silva é um dos símbolos vivos dessa resistência. Aos 68 anos, o atleta não profissional carrega com naturalidade a bagagem de quem está há 45 anos envolvido com a peteca. Começou aos 25, em uma época em que o esporte ainda envolvia toda a família, do neto ao avô, com torcida calorosa e arquibancadas cheias. “A peteca teve um auge nos anos 1980, quando explodiu no Brasil. Era um evento familiar. Hoje não tem mais renovação. Só os mais velhos continuam praticando, mas é um esporte muito saudável”, conta.

Apesar de não viver do esporte, Wagner leva o jogo a sério: participa de torneios regularmente, treina todos os dias, corre 10 quilômetros em uma hora e ainda reserva tempo para futebol e beach tennis. “Sou atleta 30 dias por mês. O segredo para chegar bem aos 68? Dormir cedo, se alimentar bem e ter paz. E, claro, sentir orgulho do que se faz.”

Outro exemplo de longevidade e paixão pela peteca é o médico Gabriel Prata Rezende, de 75 anos. Ele define o esporte como uma fonte de prazer e equilíbrio diante da rotina intensa em um hospital oncológico. “Isso aqui é relaxamento puro. É uma limpeza da mente. Depois de um dia com casos graves, a peteca me devolve o fôlego”, afirma.

Com mais de 30 anos dedicados ao esporte, Gabriel lembra que Uberaba sempre teve tradição na modalidade, e o Jockey foi palco de momentos históricos. “Aqui tinha um time fortíssimo, com gente que foi campeã brasileira. A peteca exige do corpo inteiro, trabalha todos os músculos. A idade cobra seu preço, claro, mas você aprende a adaptar. O importante é continuar.”

A permanência da peteca como esporte de base no clube também passa pelo trabalho dedicado do professor e técnico Dalmo Carvalho Lima, de 81 anos. Ele está no Jockey desde 2005, mas sua relação com o esporte começou ainda nos anos 1970. Ex-jogador de futebol, foi convidado a experimentar a peteca e não parou mais. Com o tempo, passou a ensinar, organizando aulas e promovendo intercâmbios entre clubes da cidade.

“A peteca é mais que esporte: é social. Aqui, o entrosamento entre os jogadores é maior que em esportes de contato como o futebol. E isso cria uma convivência saudável, baseada no respeito. É difícil, exige muito, mas é prazerosa. Quem começa, não larga mais”, garante. Para Dalmo, o esporte é indicado para jovens a partir dos 15 anos, já que a exigência física é grande. “É um esporte violento em termos de movimentação. Não é fácil. Mas é completo: exige pernas, braços, estratégia e visão de jogo.”

A tradição, no entanto, também precisa olhar para o futuro. Esse é o maior desafio para Lemes Gonçalves Santiago, conhecido como Sargento, diretor de Esportes e responsável pela peteca no Jockey. Ele vê no esporte um verdadeiro patrimônio do clube. “Temos uma longa história de glórias. Daqui saíram campeões mineiros e brasileiros. Nosso presidente Renato Pato é multicampeão. E temos o Douglas, atleta da categoria até 40 anos, que é hoje o primeiro do ranking nacional e tetracampeão brasileiro”, destaca com orgulho.

A peteca chegou ao clube por volta de 1980. Lemes, que começou a jogar em 1987 após vir de Belo Horizonte, lembra de quando havia 12 quadras exclusivas para o esporte, com torneios disputados por homens, mulheres e crianças, divididos em categorias que iam do infantil aos veteranos com mais de 60 anos. “Era como o beach tennis é hoje. As quadras ficavam cheias. O clube inteiro vivia isso.”

Hoje, apesar da diminuição no número de praticantes, o Jockey oferece uma das melhores estruturas de Minas Gerais para a peteca: ginásio coberto, quadras impecavelmente pintadas, redes novas, ventilação adequada, proteção contra intempéries, iluminação de LED e materiais oficiais.

Para Lemes, a peteca só perde em exigência física para a natação. “É um esporte completo. Exige preparo, inteligência, coragem e força. E o nosso maior desafio agora é manter essa chama acesa e renovar. Mostrar para os jovens o quanto a peteca é rica, divertida e transformadora.”