Aos oito anos, Bernardo Klemp já vive uma rotina que muitos garotos sonham, mas poucos experimentam tão cedo: treinar com atletas mais velhos, se destacar em todas as categorias por onde passa e despertar o interesse de um dos maiores clubes do país, o Palmeiras. Natural, segundo quem convive com ele — porque talento assim não passa despercebido.
O projeto do Jockey Club, que há pouco tempo decidiu investir de forma mais estruturada na base, encontrou em Bernardo um dos símbolos dessa nova geração. O diretor de futebol, Gabriel Ramos, explica que o trabalho começou ainda em 2024:
“Foi uma ideia do Jockey investir na molecada que estava surgindo. Trouxemos alunos de fora, meninos que se destacavam em outros times. Esse sub-9 do ano passado, por exemplo, ganhou tudo o que disputou. O Bernardo sempre jogou uma categoria acima e, quando joga na dele, destaca muito mais. Quem vê ele jogar sabe: é ambidestro, joga demais, uma promessa que vai levar o nome do Jockey lá em cima.”
Bernardo fala com a naturalidade de quem sabe o que quer, mas ainda carrega a leveza de menino.
“Eu adoro futebol, meu sonho é virar profissional. Quero chegar num clube muito bom e ganhar a Bola de Ouro.”
Dividindo escola e rotina esportiva, ele também mostra disciplina:
“Eu me dedico muito nos estudos. E o apoio do meu pai e da minha mãe? É maravilhoso, é amor.”
O pai, Leonardo Klemp, lembra que tudo começou aos cinco anos:
“Ele pediu para ir pra escolinha. O professor viu que ele tinha potencial e pediu para procurar algo mais específico. Trouxe pro Jockey. Mesmo tendo só seis anos, o professor Roger viu que ele dava conta de treinar com o alto rendimento, que era Sub-9.”
Daí para frente, a evolução foi rápida. Os treinos, os jogos e, mais recentemente, o teste no Palmeiras.
“Um olheiro viu ele jogando contra o Vila Nova e pediu nosso contato. Ele fez o teste no futsal, passou de imediato, e agora está no processo final do teste no campo. No futsal ele já está aprovado para começar no ano que vem, com monitoramento do Palmeiras.”
O treinador Roger Gustavo acompanha o garoto desde os seis anos e explica o porquê de tanto destaque:
“Ele é muito acima da média. Tem técnica, leitura de jogo e competitividade. Não é fominha, joga para o time, coloca os colegas na cara do gol. Por isso sempre jogou com os mais velhos.”
Roger também detalha o preparo:
“Além dos treinos de base e futsal, ele faz treino personalizado, com foco em lapidar gesto técnico, força, potência, coordenação. Ele executa tudo com excelência. Digo sempre ao pai: é questão de tempo até buscar lugares maiores.”
O treinador de futsal, Edmundo Carvalho, reforça a importância do equilíbrio:
“Bernardo tem um talento absurdo. Nosso cuidado é para que a pressão não atrapalhe. Crianças oscilam e a gente protege isso. A técnica dele é muito forte e o futsal complementa o campo. Ele toca muito na bola, aprimora ainda mais. Um agrega o outro.”
Entre treinos, escola e desenhos — atividade que o pai garante ser outra habilidade acima da idade — Bernardo segue sendo o que é: um menino que ama futebol. Um menino que sonha grande. E que, ao que tudo indica, tem todas as ferramentas para transformar sonho em realidade.