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No Jockey Club de Uberaba, esporte é ferramenta de inclusão e desenvolvimento

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No Jockey Club de Uberaba, esporte é ferramenta de inclusão e desenvolvimento

No silêncio concentrado das quadras, entre raquetadas e risos, cresce muito mais do que técnica e desempenho. Crescem histórias, sonhos e oportunidades. Uma delas é a de Isaque Elias Alves Bernardo Furtado, de 11 anos, que descobriu no tênis muito mais que um esporte, um espaço de liberdade, desafio e superação. Isaque tem TEA (Transtorno do Espectro Autista) e encontrou nas quadras do Jockey Club de Uberaba uma nova forma de se expressar e se desenvolver.

“Eu queria fazer um novo esporte. Vi o tênis num jogo no meu Xbox e perguntei se aqui tinha. Comecei a jogar e depois de um mês, comecei a gostar mais. Agora quero vir todos os dias”, conta Isaque, com os olhos brilhando de entusiasmo. Para ele, a diferença entre o videogame e a realidade está no toque, no movimento, na dificuldade do backhand e na satisfação de estar ali, superando-se a cada treino.

A trajetória de Isaque é acompanhada de perto por sua mãe, Cleidemar  Furtado. “Ele tem o TEA e o videogame era o hiperfoco dele. A gente buscava algo que o tirasse da tela, mas que ele também gostasse. O tênis ajudou muito. Melhorou a coordenação motora, a lateralidade, e é um espaço onde ele gasta energia, interage. É terapêutico”, explica.

O que poderia ser apenas mais uma atividade esportiva tornou-se parte de um projeto mais amplo do Jockey Club: transformar o tênis em um esporte acessível, formativo e de alto rendimento. Com aulas gratuitas, fornecimento de equipamentos e treinamentos diários, o clube aposta no tênis como porta de entrada para o esporte competitivo e para a inclusão social.

“O tênis exige paciência, técnica e dedicação. Cada aluno tem seu tempo, e a gente respeita isso. Com o apoio do clube, conseguimos ampliar as aulas, atender mais alunos e formar novas turmas”, diz o treinador do Isaque, João Carlos Takahashi, que acompanha os alunos desde os primeiros movimentos até as competições.

Segundo Vitor Hugo Rodrigo Silva, também treinador do Jockey, o projeto vai além da iniciação. “Temos a pré-equipe e a equipe de rendimento. Os atletas já estão competindo em torneios estaduais e nacionais, com ranking na Confederação Brasileira de Tênis. É uma estrutura completa, com treino físico, técnico e incentivo real à formação de atletas”, ressalta. 

Entre esses jovens promissores está Giovanne Tiago de Sousa Ferreira, de 11 anos, inspirado no ídolo Djokovic. “O tênis é difícil, e é isso que eu gosto. Me desafia. Meu sonho é ser profissional, jogar em grandes torneios. Mas sei que preciso de disciplina, treino, alimentação, sono. Tudo conta.”

Maria Fernanda Vieira dos Santos, de 16 anos, também leva o tênis a sério. “Jogo sete vezes por semana. É minha prioridade hoje. Quero seguir profissionalmente e chegar aos grandes torneios, como Roland Garros e Wimbledon.”

No Jockey Club de Uberaba, o tênis deixou de ser apenas um esporte de elite. Tornou-se espaço de inclusão, formação e conquista. Com incentivo, estrutura e sensibilidade, o clube mostra que raquete e bola também podem ser instrumentos de transformação.